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Cinco organizações armadas, em cinco sociedades que nunca se comunicaram, construíram a mesma coisa. Este livro explica por quê - e mostra que a resposta corrente está errada.
Quando o Estado Islâmico, o JNIM no Sahel, a Al-Shabaab, o Tehrik-i-Taliban Pakistan e os dois ramos da Boko Haram conquistaram território e tempo para governar, montaram tribunais que julgam indivíduos sem admitir recurso a nenhuma instância exterior. Cobraram tributo enquadrado como obrigação devida, e não como pagamento por proteção. Regularam esferas da vida das quais não retiravam receita nem vantagem militar. E processaram a rendição de quem se submetia individualmente, dispensando quem representava terceiros.
Diz-se que se parecem porque partilham o credo salafista. A explicação desfaz-se ao primeiro exame. O Tehrik-i-Taliban Pakistan é deobandi, não salafista, e comporta-se como as demais. A imensa maioria dos salafistas do mundo professa exatamente o mesmo credo do Estado Islâmico e não produz nada semelhante. O credo não é nem necessário nem suficiente.
O que essas organizações têm em comum não é o que creem - é a estrutura da ordem que constroem. Nos arranjos que instituem não existe o lugar do adversário legítimo: não a posição de quem discorda com veemência, que existe em toda parte e inclusive dentro delas, mas a de quem discorda da própria régua e continua pertencendo. Uma organização cuja autoridade se funda no acesso exclusivo a uma verdade não pode reconhecer adversário legítimo sem se dissolver.
Comparando instituições em vez de credos, por quatro indicadores que qualquer habitante de uma zona governada pode responder, o livro reconstrói a arquitetura dessas ordens caso a caso. E aplica os mesmos indicadores aos Estados iraquiano, maliano, somali, paquistanês e nigeriano - com um resultado desconfortável: a forma não pertence ao ator, e sim ao arranjo. Um mesmo Estado pode manter jurisdição ordinária no centro e regime de exceção na periferia.
Há ainda um achado que a literatura de cada caso registra como episódio local e que ninguém leu como padrão: em quatro sociedades sem contato entre si, essas organizações eliminaram exatamente as figuras cuja função era representar terceiros - xeques tribais no Iraque, anciãos na Somália, notáveis nas áreas pashtun, clérigos na Nigéria. A um custo que nenhum cálculo estratégico recomenda. Discursos e técnicas transmitem-se entre organizações. Erros dispendiosos, não.
Com 20 tabelas analíticas, 20 gravuras e bibliografia inteiramente verificada, este é um livro de ciência política comparada para quem quer entender a forma dessas ordens - e para quem desconfia de que contar filiações doutrinárias explique alguma coisa.
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